O evento, suspenso há dois anos por conta da pandemia, foi retomado de forma presencial, com a proposta de oferecer às pessoas em situação de rua serviços e orientação jurídica.
Um banho de cidadania! Essa pode ser a melhor definição para explicar a retomada da parceria entre a Defensoria Pública de Minas Gerais e a Associação Banho de Amor que juntas atuam em prol de recuperar a dignidade daqueles que vivem em situação de rua.
A ação aconteceu nesta terça-feira (14/06), no cruzamento das ruas Tamoios e Mato Grosso, na altura do número 1144, região central de Belo Horizonte. O objetivo foi oferecer a estas pessoas cuidados pessoais, roupas, cobertores, alimentos; e, também, orientação jurídica, educação em direitos, além de atendimento médico, psicossocial e de qualificação profissional.
Parceira da iniciativa desde 2018, a Defensoria Pública já realizou, durante as ações anteriores, mais de 300 prestações jurídicas nas áreas cível, de saúde, família, criminal e execução penal.

– Fotos: Marcelo Sant’Anna/DPMG
Participaram desta edição as defensoras públicas Deborah Picinin Muzzi, da Defensoria de Família e Sucessões, e Vanessa Maria de Miranda Pontes, da Defensoria Criminal. Além delas, se mobilizaram ainda mais de 20 voluntárias e voluntários da Associação Banho de Amor, dentre as quais a defensora Cibele Nogueira Gil.
Segundo a defensora Vanessa Miranda, foram realizados 16 atendimentos nas áreas cível e criminal. “Na área criminal, foram solicitadas informações voltadas para a existência de pena, de condenação e execução penal e mandado de prisão. Já na área cível, a expedição de registro civil, da certidão nascimento, além da segunda via da carteira de identidade”, registrou a defensora pública.
Em atuação na área de Família há 14 anos e pela primeira vez no trabalho, a defensora Débora Muzzi destacou o papel da Defensoria Pública em fazer a diferença. “É muito gratificante. Me sinto muito feliz por poder trazer um pouco de dignidade para essas pessoas tão excluídas pela sociedade”, destacou a defensora.
Sentimento compartilhado também pela defensora Cibele Nogueira, que há 17 anos atua em favor das famílias na Instituição. Voluntariamente, participou da mobilização e, com um avental e luvas, se encarregava da higienização e limpeza do banheiro que era utilizado por assistidos e assistidas, entre um e outro banho. A defensora resumiu a participação espontânea em poucas palavras: “participar desse trabalho traz um conforto ao coração. Sensação de paz pela vontade de servir”.

Orientação jurídica
Em situação de vulnerabilidade e vivendo até bem pouco tempo nas ruas da capital, William Alexandre de Jesus, acompanhado da esposa Juliana e a filha de um ano e três meses, buscou a orientação jurídica da Defensoria Pública para regularizar sua situação judicial, para que possa conseguir um emprego para o sustento da família.
“A ajuda da Defensoria é fundamental para a mudança de vida da gente. É uma mão estendida para quem mais precisa. Deus abençoe cada dos envolvidos”, disse William.
Vivendo nas ruas desde os 15 anos, por conta de um desacerto com os familiares, Franciane de Souza Vieira buscou orientação para entender seus direitos em relação à família. Devidamente orientada, fez questão de valorizar a parceria, sobretudo para aqueles que, segunda ela, são quase invisíveis para a sociedade. “Esse serviço de orientação oferecido pela Defensoria é importante demais da conta. Não só pra mim como para várias pessoas que, como eu, não aguentam mais viver assim e querem sair das ruas”, disse Franciane.
A presidente da Associação Banho de Amor, Maria Alice Vasconcelos, comemorou a retomada dos trabalhos e destacou a importância das parcerias como a prestada pela Defensoria, fundamental para o sucesso da iniciativa. “O banho é a porta de entrada para a recuperação da dignidade dessas pessoas”, definiu Alice.
As ações do Banho de Amor acontecem sempre às terças-feiras. As próximas edições estão previstas para os dias 21 de junho, na Praça da Estação; 28 de junho: Praça Afonso Vaz de Melo, no bairro da Lagoinha; e 5 de julho, novamente, na Praça da Estação.
Jornalista Jacques Leal – Ascom/DPMG