Defensoria mineira encerra III Fonadem com votação de enunciados, apresentação de diretrizes e projeto emancipador e palestra

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A apresentação e votação em plenária de 28 enunciados, que visam orientar a atuação das Defensorias Públicas na garantia dos direitos das mulheres, abriu a programação do III Fonadem, nesta quarta-feira (18/6). Os debates se estenderam até o período da tarde. Foram aprovados os 28 enunciados, sob a perspectiva dos direitos humanos, direitos dos povos indígenas, execução penal, criança e adolescente, direito das famílias, pessoa idosa, pessoa com deficiência, saúde, psicossocial, criminal e júri, desastres e mudanças climáticas, população LGBTQIAPN+ e paridade de gênero.

Continuando os trabalhos, a juíza do Tribunal de Justiça de São Paulo, Tereza Cabral, apresentou diretrizes e procedimentos específicos para elaboração de medidas protetivas de urgência. Elaboradas pelo Fórum Nacional Permanente de Diálogos com o Sistema de Justiça sobre a Lei Maria da Penha, com a participação de várias instituições e sociedade civil, as diretrizes levam em conta a Lei da Maria da Penha e outras normativas nacionais e internacionais.

Juíza de Direito Tereza Cabral: “Somos diferentes mulheres e a interseccionalidade precisa fazer parte das políticas públicas”

Na sequência, a subdefensora-geral do Maranhão, Cristiane Marques, apresentou o projeto “Te Alui, Mulher”, desenvolvido pela DPMA. A iniciativa visa capacitar, acolher e conectar mulheres a redes de proteção. Também oferta cursos profissionalizantes, apoio psicossocial, serviços de saúde, além de articulação com outros programas sociais.

Subdefensora-geral do Maranhão, Cristiane Marques: “A construção das redes é fundamental para alcançarmos soluções sustentáveis”

O painel “É possível promover a igualdade e a justiça social sem reconhecer as diferenças?”, com a participação da procuradora adjunta da Mulher da Câmara Municipal de Belo Horizonte, Cida Falabella, e a vereadora procuradora da Mulher da Câmara Municipal de Lagoa Santa, Lavina Rodrigues, encerrou a programação do encontro.

Painel de encerramento com as vereadoras procuradoras da Mulher

Protocolo Nacional

Também foi feita uma rápida apresentação da primeira versão do  “Protocolo Nacional de Atuação das Defensorias Públicas com Perspectiva de Gênero, Raça/Etnia e demais marcadores sociais da diferença”.

Construído de forma horizontal e coletiva por defensoras públicas e defensores públicos com atribuições diversas da violência doméstica e familiar contra as mulheres, além de psicólogas, psicólogos e assistentes sociais, o documento estipula diretrizes para a qualificação do atendimento e a uniformização de práticas defensoriais sensíveis às desigualdades estruturais de gênero, consideradas todas as interseccionalidades das mulheres.

A maior parte das pessoas atendidas pela Defensoria Pública é constituída por mulheres, o que demanda uma atuação não neutra, com sensibilidade para as múltiplas vulnerabilidades enfrentadas por essa população, a fim de se evitar revitimizações e práticas discriminatórias.

O objetivo é que o Protocolo seja um guia mínimo de atuação que respeite as diferentes realidades estruturais das Defensorias Públicas pelo país e seja um instrumento legítimo, útil e possível de ser implementado por defensoras públicas e defensores públicos de todas as áreas de atuação.

As sugestões decorrentes das Oficinas realizadas no segundo dia do Fórum serão incorporadas ao documento, o qual será divulgado posteriormente. É importante dizer que o Protocolo é uma construção viva, que poderá ser atualizada periodicamente.

Ficou deliberado que IV Fonadem acontecerá em junho de 2026, em Belém.

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Alessandra Amaral, jornalista DPMG.