Defensoria mineira inicia a 3ª edição do curso ‘Defensoras Populares’
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Começou, neste sábado (20/9), a 3ª edição do curso ‘Defensoras Populares’. A iniciativa, promovida pela Defensoria Pública de Minas Gerais (DPMG), por meio da sua Escola Superior (Esdep), tem por objetivo fomentar mudanças sociais por meio da formação de mulheres lideranças comunitárias que se tornarão disseminadoras e multiplicadoras do conhecimento em defesa dos direitos das mulheres em seus territórios.

O objetivo é compartilhar conhecimentos sobre direitos humanos das mulheres, capacitando as participantes para acolher e orientar outras mulheres em situação de violência de gênero e/ou vulnerabilidade social, fortalecendo a luta contra o machismo, o preconceito e a violência.
Com 75 participantes inscritas, o curso é dividido em oito módulos, com aulas sempre aos sábados. O encerramento, com a entrega dos certificados, acontece no dia 29 de novembro.
Interseccionalidades e conceitos fundamentais
Antes da exposição do primeiro tema, cada uma das participantes fez uma breve apresentação trazendo suas vivências, experiências e conhecimentos.
Neste primeiro encontro, a defensora pública Luana Borba Iserhard, coordenadora estadual de Promoção e Defesa dos Direitos das Mulheres (CEDEM), abordou o tema “Compreendendo as opressões estruturais de gênero, raça/etnia e classe social: interseccionalidades e conceitos fundamentais.”

Na abertura, a defensora pública destacou a riqueza do compartilhamento de experiências entre as participantes. “Esse curso é sobre aprendizado, sobre conhecimento, mas não de uma forma vertical. A ideia é justamente que seja uma troca, que nós possamos aprender juntas, porque todas, através da sua história, da sua experiência, têm muito a contribuir e a ensinar umas para as outras.”

Em sua terceira formação, Rose espera ampliar os conhecimentos para levar a informação às mulheres em estado de vulnerabilidade social. Para ela, o ‘Defensoras Populares’ é de grande importância, pois traz uma expectativa de vida melhor, com o aprendizado quanto aos direitos e o papel da Defensoria Pública no acesso a eles. “Não temos muita informação aqui fora. Fala-se muito em direitos, mas quando se busca por eles, às vezes, fica inviável acessar. Muitas vezes não sabemos para onde encaminhar ou não temos braços para acolher todas aquelas que procuram o movimento de mulheres. Daí apresentamos a Defensoria Pública para elas, para que possam ter acesso aos seus direitos, se fortalecerem e darem continuidade às suas vidas sem a dependência emocional ou financeira de outros”, explicou.
Para Every Lopes da Silva o ‘Defensoras Populares’ é uma possibilidade de as mulheres se unirem, tendo uma linha direcional para que possam atender em seus territórios. “É o que aprendemos aqui que vai direcionar os trabalhos nos territórios, permitindo a formação de uma ampla rede de solidariedade e empenho mútuo, para que as mulheres em situação de vulnerabilidade social ou de violência tenham referência e apoio para que possam se renovar e inovar cada vez mais”.
“A experiência é um dom de todos e o saber é para poucos. Hoje temos a necessidade do saber e temos a graça de participar de espaços que até algum tempo atrás não nos eram permitidos estar. Por isso, eu digo: venham participar! Vamos buscar este saber, estas experiências na coletividade, para que possamos, realmente, deixar uma história melhor para as outras que virão depois de nós”, disse Every, convocando todas as mulheres a buscarem o conhecimento de seus direitos.
Cristiane Silva, jornalista/DPMG