Ouvidoria-Geral da DPMG e Comissão de Atingidos pela Barragem de Fundão discutem desafios na reparação dos danos causados pela tragédia de Mariana 

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Nesta segunda-feira (10/8), o ouvidor-geral da Defensoria Pública de Minas Gerais (DPMG), Rodrigo Xavier, reuniu-se com representantes da Comissão de Atingidos pela Barragem de Fundão (CABF), em Mariana. O encontro teve como principal objetivo ouvir as demandas das comunidades atingidas e promover uma avaliação crítica dos entraves que ainda persistem no processo de reparação, mais de dez anos após o rompimento da barragem da Samarco, empresa controlada pela Vale e pela BHP Billiton.  

Durante a reunião, os atingidos relataram uma série de dificuldades enfrentadas ao longo do processo de reparação. Entre as principais reclamações estão a lentidão dos processos judiciais, a excessiva burocracia dos mecanismos indenizatórios e a insuficiência das compensações financeiras recebidas, muitas vezes consideradas incompatíveis com a dimensão dos danos sofridos. Também foram destacados os impactos profundos sobre os modos de vida, as relações comunitárias e a identidade cultural de localidades destruídas pela tragédia, como Bento Rodrigues e Paracatu de Baixo. Os participantes ainda ressaltaram os efeitos duradouros do deslocamento forçado, bem como os prejuízos à saúde física e mental das vítimas.  

Como parte da agenda, o ouvidor-geral também acompanhou os representantes da comissão em uma visita à comunidade de Paracatu, uma das regiões diretamente afetadas pelo desastre.

  

O ouvidor-geral da Defensoria Pública, Rodrigo Xavier (3ª posição, à esquerda) reuniu-se com representantes da Comissão de Atingidos pela Barragem de Fundão

Na ocasião, a Ouvidoria-Geral reafirmou seu compromisso de acompanhar as demandas da comissão junto à Defensoria Pública de Minas Gerais e de fortalecer o diálogo com os órgãos e instituições competentes. Dentro de sua esfera de atuação, o órgão seguirá empenhado na defesa dos direitos fundamentais das pessoas atingidas e na busca por medidas que contribuam para a reparação dos danos e para o resgate da dignidade das comunidades impactadas em Mariana e ao longo da bacia do Rio Doce.  

Para entender melhor 

Em 5 de novembro de 2015, às 16h20, a barragem de Fundão, pertencente à mineradora Samarco e controlada pela Vale e pela anglo-australiana BHP Billiton, rompeu-se no município de Mariana, na região Central de Minas Gerais. Considerada uma das maiores tragédias socioambientais da história do Brasil, a ruptura lançou milhões de metros cúbicos de rejeitos de mineração no meio ambiente, provocando a morte de 19 pessoas, a destruição de comunidades inteiras, como Bento Rodrigues e Paracatu de Baixo, e a contaminação do Rio Doce até sua foz, no litoral do Espírito Santo. O desastre também deixou mais de 600 pessoas desalojadas e produziu impactos sociais, econômicos e ambientais que permanecem até os dias atuais.