DPMG promove seminário “Menos Tela, Mais Brincar” em celebração ao dia Mundial do Brincar
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Em alusão ao dia mundial do brincar, celebrado no dia 28 de maio, a Defensoria Pública de Minas Gerais (DPMG) promoveu, no dia 27 de maio, o seminário “Menos Tela, Mais Brincar”, em parceria com o Museu dos Brinquedos. Realizado no auditório da instituição, em Belo Horizonte, o evento reuniu profissionais e representantes de diferentes áreas em torno da discussão sobre infância, convivência e uso excessivo de telas.
Participaram do encontro educadores, gestores escolares, profissionais da saúde, da assistência social e da cultura, integrantes do Sistema de Garantia de Direitos, organizações comunitárias e demais pessoas ligadas à proteção e ao desenvolvimento infantil.
Valorização do brincar
Durante o seminário, a defensora pública Thaísa Amaral Braga Falleiros, titular da 2ª Defensoria Especializada dos Direitos das Crianças e dos Adolescentes – Cível (DEDICA-Cível) e atualmente em atuação na Assessoria Jurídico-Institucional da Defensoria Pública-Geral, destacou a importância da mobilização coletiva em defesa da infância.



Segundo ela, o encontro reuniu diferentes setores da sociedade em torno de uma causa comum. “A proteção da infância, a valorização do brincar e o cuidado com a forma como as crianças têm vivido seu tempo, seus vínculos e suas experiências no mundo”.
Thaísa também ressaltou que a atuação da Defensoria Pública vai além da garantia formal de direitos, envolvendo a construção conjunta de políticas e práticas voltadas ao desenvolvimento infantil. “A Defensoria Pública também atua na proteção da infância, trabalhando para garantir que família, escola, poder público e comunidade construam, juntos, condições reais para que as crianças possam brincar, conviver, imaginar, participar e viver plenamente a infância”, afirmou.
Proteção no digital
A defensora pública Eden Mattar, titular da Primeira Defensoria Especializada das Crianças e Adolescentes, abordou a necessidade de conscientização coletiva sobre a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital. Segundo ela, o debate envolve pais, rede de proteção, serviços de saúde, plataformas digitais, instituições públicas e toda a sociedade.
Durante sua fala, Eden destacou a entrada em vigor do chamado “ECA Digital”, em 17 de março, apontando que a atualização ampliou mecanismos de proteção já previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente. Para a defensora, a legislação reforça que a proteção da infância também deve ocorrer na esfera digital.
Ela ressaltou que a discussão não se limita à retirada das telas ou à restrição do tempo de uso, mas envolve a construção de hábitos mais equilibrados e conscientes dentro das famílias. “É preciso que o tempo diante das telas seja substituído por outras atividades, para que não ocupe o lugar do lazer, do aprendizado, do entretenimento e da convivência”, afirmou.

Eden também chamou atenção para a necessidade de transformação dos próprios adultos diante da relação com a tecnologia. “Os pais também precisam se reconhecer como pessoas que necessitam de capacitação e transformação, porque nós, adultos, também estamos viciados”, disse.
Segundo a defensora, o enfrentamento da questão exige atuação articulada e consciente de todos os setores envolvidos na proteção da infância. Ela destacou ainda que o objetivo não é demonizar a tecnologia, mas incentivar seu uso equilibrado e responsável.
“As crianças precisam de brincadeiras, de tempo, de proteção, de convivência, de presença. As crianças precisam de menos tela e mais brincar”, concluiu.
Impactos do tempo excessivo de telas
A terapeuta ocupacional e pesquisadora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Renata Maria Silva Santos, também participou do seminário abordando os impactos do excesso de tempo de tela no desenvolvimento cerebral de crianças e adolescentes.
Doutora em Medicina Molecular e pesquisadora na área da psiquiatria com foco em tempo de tela, Renata destacou a importância de substituir o excesso de exposição digital por atividades mais adequadas ao desenvolvimento infantil, especialmente durante as fases de maior plasticidade cerebral.
Segundo ela, as telas exercem forte estímulo sobre os circuitos dopaminérgicos cerebrais e sobre o sistema de recompensa, fator que contribui para o alto nível de engajamento das crianças com conteúdos digitais. “Existe um verdadeiro mercado da atenção, estruturado justamente para capturar e manter o foco das pessoas”, afirmou.



A pesquisadora ressaltou que a redução do tempo de tela exige que famílias e responsáveis ofereçam alternativas igualmente atrativas às crianças. Para ela, criatividade, convivência e disponibilidade de tempo são elementos fundamentais nesse processo.
Renata também enfatizou o papel do exemplo dos adultos dentro de casa. De acordo com a pesquisadora, estudos demonstram que responsáveis com elevado tempo de exposição às telas tendem a reproduzir esse comportamento no ambiente familiar, influenciando diretamente os hábitos das crianças.
Ela defendeu ainda a necessidade de reorganização das rotinas familiares, priorizando interações presenciais e momentos de convivência. “Mais tempo de qualidade, com presença e interação olho no olho com as crianças”, destacou.
Ao encerrar sua participação, Renata chamou atenção para o funcionamento dos algoritmos e da chamada “economia da atenção”, modelo que transforma o tempo de permanência nas plataformas em valor de mercado. Segundo ela, crianças e adolescentes acabam sendo especialmente vulneráveis a essas dinâmicas por ainda não possuírem maturidade suficiente para compreender os mecanismos utilizados pelas plataformas digitais.
Museu dos Brinquedos e Defensoria Pública
A diretora executiva do Museu dos Brinquedos, Tatiana Azevedo Camargo, destacou que a proposta da participação da instituição no seminário foi proporcionar aos adultos um momento de reflexão e reconexão com a infância.
Segundo ela, o debate vai além da simples retirada das telas das mãos das crianças e envolve a valorização do brincar como linguagem essencial da infância. “Mais do que pensar em tirar a tela ou o celular das mãos das crianças, a proposta é reconhecer a importância da infância e compreender o brincar como a principal linguagem que precisa ocupar esse espaço”, afirmou.
Tatiana explicou que a participação do Museu dos Brinquedos buscou convidar os adultos a revisitarem suas próprias memórias e experiências infantis, como forma de compreender a importância do cuidado e da presença na vida das crianças.
Para a diretora, é nesse processo de reconexão com a infância que surgem elementos fundamentais para o desenvolvimento infantil, como vínculo, convivência, atenção, acolhimento e presença.

Ela também destacou que o encontro representou um convite à reflexão sobre as relações humanas na sociedade contemporânea, marcada pela presença constante da tecnologia e pela dificuldade crescente de vivenciar experiências simples de convivência.
Segundo Tatiana, o seminário também celebrou o encantamento, o faz de conta, a imaginação e o brincar como elementos centrais da infância.
O seminário propôs reflexões práticas sobre o equilíbrio entre tecnologia e vida real, reforçando a importância das experiências presenciais, do convívio familiar e das formas tradicionais de interação e aprendizagem no desenvolvimento das crianças.
A comunicação visual do evento utilizou linguagem acessível e elementos lúdicos, com ilustração produzida pela servidora da Escola Superior, Gaby Lopes, parceria Defensoria Pública e a Mano Down.

Inauguração Espaço de Brincar – Centro de Conciliação e Mediação
Ao fim do Seminário, a Defensoria Pública realizou a inauguração da sala de brincar para acolher crianças que vem acompanhadas das assistidas e dos assistidos, para quando seus responsáveis estiverem em atendimento ou em sessão de conciliação.
A coordenadora estadual dos Centros de Conciliação e Mediação (CCM), defensora pública Elisa Schroder Alves César, inaugurou a sala em ato simbólico, cortando a fita da entrada.

Para a coordenadora, a nova sala permite um melhor atendimento ao assistido, pois ele não vai mais precisar se preocupar caso precise comparecer à Defensoria Pública com uma criança. “A ideia é transformar esse espaço em um lugar de brincar e de espera das nossas assistidas e assistidos que não têm com quem deixar as suas crianças. Então, foi planejado um espaço acolhedor e construído com muito carinho, pois o foco da Defensoria Pública é promover um atendimento humanizado”.


Clique aqui para assistir ao seminário na íntegra.
Mateus Felipe — Jornalista/DPMG