DPMG promove seminário sobre proteção de crianças e adolescentes com deficiência no contexto escolar

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A Defensoria Pública de Minas Gerais (DPMG) realizou, nesta terça-feira (2/6), o seminário “Corpo, Limites e Proteção – Enfrentando a violência sexual contra crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista (TEA), Trissomia do 21 (T21) e deficiência intelectual no contexto escolar”. A iniciativa integra o projeto “Avante Inclusão!” e teve como objetivo promover a reflexão, a capacitação de profissionais e o fortalecimento das estratégias de prevenção, identificação e enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes com deficiência.

Organizado pela Escola Superior da DPMG (ESDEP), o evento reuniu representantes de instituições públicas, profissionais da educação, da saúde, do sistema de garantia de direitos, além de familiares e pessoas engajadas na pauta da inclusão. A proposta foi ampliar o debate sobre a proteção integral desse público, fortalecendo a Educação em Direitos e incentivando a construção de ações articuladas entre as redes de ensino, assistência social, saúde, proteção e justiça.

Na abertura do seminário, a defensora pública-geral de Minas Gerais, Caroline Loureiro Goulart Teixeira, ressaltou a importância da atuação conjunta entre instituições para enfrentar uma realidade que ainda afeta de forma significativa crianças e adolescentes com deficiência. Segundo ela, a união de esforços é fundamental para ampliar a proteção e garantir um atendimento mais qualificado às vítimas.

Defensora pública-geral Caroline Loureiro Goulart Teixeira junto dos convidados do seminário — Fotos: Bryan Carvalho/DPMG

A coordenadora da Defensoria Especializada na Pessoa Idosa e Pessoa com Deficiência, defensora pública Fernanda Fernandes, destacou o papel estratégico da escola na identificação de situações de violência sexual, uma vez que grande parte dos casos ocorre no ambiente familiar ou é praticada por pessoas próximas da vítima. Ela também defendeu a adoção de protocolos específicos para o atendimento de estudantes com autismo, T21 e deficiência intelectual, considerando suas particularidades de comunicação e expressão.

Coordenadora da Defensoria Especializada na Pessoa Idosa e Pessoa com Deficiência, defensora pública Fernanda Fernandes

Representando a Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte, a subsecretária de Gestão Pedagógica, Arminda Aparecida de Oliveira, enfatizou que a inclusão com equidade se concretiza no cotidiano escolar e que a escola ocupa posição central na rede de proteção. Para ela, a articulação entre educação, saúde, sistema de garantias e justiça é indispensável para assegurar respostas efetivas diante das violações de direitos.

Subsecretária de Gestão Pedagógica, Arminda Aparecida de Oliveira

A coordenadora da Coordenadoria Estratégica de Promoção e Defesa dos Direitos das Crianças e Adolescentes (CEDEDICA), defensora pública Daniele Bellettato Nesrala, alertou para a condição de hipervulnerabilidade das crianças e adolescentes com deficiência, destacando que dificuldades de comunicação e expressão frequentemente aumentam os riscos de violência e dificultam a denúncia. Ela reforçou a necessidade de acolhimento e escuta qualificada tanto para as vítimas quanto para suas famílias.

Coordenadora da CEDEDICA, defensora pública Daniele Bellettato Nesrala

A psicóloga Vitória Souza Silva Loiola, da Santa Casa de Belo Horizonte, ressaltou a importância da integração entre saúde e educação na identificação precoce de situações de vulnerabilidade. Segundo ela, o olhar atento dos profissionais da educação é essencial para reconhecer sinais de violência e garantir os encaminhamentos adequados.

Psicóloga da Santa Casa BH, Vitória Souza Silva Loiola

Também participou do seminário Leonardo Gontijo, do Instituto Mano Down, que abordou os desafios enfrentados por pessoas com deficiência e suas famílias na busca pelo equilíbrio entre autonomia e proteção. Ele destacou a necessidade de ampliar o diálogo sobre a violência sexual e fortalecer redes de apoio capazes de transformar informação em ações concretas de prevenção.

Presidente do Instituto Mano Down, Leonardo Gontijo

Ao longo da programação, os participantes debateram estratégias de prevenção, acolhimento e encaminhamento de casos, reforçando a importância da atuação intersetorial e da construção de protocolos que garantam uma escuta acessível, respeitosa e efetiva para crianças e adolescentes com deficiência.

Acesse a íntegra do seminário (manhã): clique aqui.
Acesse a íntegra do seminário (tarde): clique aqui.


Mateus Felipe — Jornalista/DPMG