Campanha ‘Gestação Segura’ da Defensoria Pública de Minas esclarece sobre imunização materna contra a Covid

Por Assessoria de Comunicação em 25 de agosto de 2021

Das quase 26 mil gestantes e puérperas de Belo Horizonte, segundo estimativa da Prefeitura, apenas pouco mais de 50% receberam a primeira dose da vacina

Ciente do desafio da imunização contra a Covid-19 das grávidas e puérperas (mulheres no período pós-parto, de 45 dias), a Defensoria Pública de Minas Gerais (DPMG) lança a Campanha de Educação para a Vacinação de Gestantes – “Gestação Segura”.

No Brasil, a taxa de mortalidade por Covid-19 entre mulheres grávidas e puérperas é de 7,2%. O percentual representa mais que o dobro da atual taxa de letalidade do restante da população no país, que é de 2,8%. Os dados são do Boletim do Observatório Covid-19, da Fundação Oswaldo Cruz, divulgado em junho deste ano.

A campanha “Gestação Segura” pretende ser um meio de esclarecimento sobre a imunização materna contra a Covid, visando tornar o período gestacional o mais seguro e saudável possível. A ideia é mostrar a elas que vacinas só fazem bem a gestantes, puérperas e a todos.

A campanha ocorrerá, predominantemente, por meio das redes sociais da DPMG, facilitando o compartilhamento de informações. As mensagens de conscientização também circularão em dez painéis digitais de bancas de revistas em Belo Horizonte, numa parceria com a empresa PAD. Seu lançamento dialoga diretamente com o cenário de gestantes receosas de se vacinarem contra a Covid-19, o que as faz ficarem mais expostas a infecções, complicações e mortalidade causadas pela doença.

Aumento relevante de casos

Segundo o Boletim do Observatório Covid-19 Fiocruz, um estudo sobre a pandemia nas Américas, publicado em maio pela Organização Pan-Americana da Saúde, mostrou aumento relevante de casos em gestantes e puérperas, e de óbitos maternos por Covid-19 em 12 países, entre janeiro e abril. O Brasil é o país com o maior número de mortes maternas devido à Covid-19.

Pesquisadores e epidemiologistas alertam que gestantes podem desenvolver formas graves da Covid-19, especialmente aquelas em torno de 32 ou 33 semanas de gestação.

O estudo da Fiocruz aponta que, em 2020, foram relatadas no país 560 mortes pela Covid-19 de mulheres grávidas e puérperas. Em 2021, as mortes maternas já superaram o número relatado no ano anterior: foram registradas 1.156 mortes, mais que o dobro do que em 2020. A maioria delas, de acordo com a análise, ocorre durante a gestação e não no puerpério.

Para diminuir o número de óbitos em grávidas e puérperas o estudo alerta que é essencial a combinação de medidas não farmacológicas – tais como manutenção das medidas de isolamento social, uso de máscaras, higiene das mãos e a não aglomeração -, e vacinação.

“Consideramos fundamental acelerar a vacinação de todas as gestantes e puérperas no estágio atual da pandemia”, afirmam os cientistas da Fiocruz.

Programa Nacional de Vacinação

Em abril deste ano, o Ministério da Saúde incluiu grávidas e puérperas no Programa Nacional de Vacinação (PNI), mas em maio, depois da morte de uma mulher que havia recebido uma dose da AstraZeneca, a pasta recomendou a suspensão temporária da vacinação de gestantes sem comorbidades. Na ocasião, o Ministério anunciou que acompanharia todas as gestantes que já tinham sido vacinadas a fim de verificar as reações aos imunizantes.

Em julho, após a análise dos dados e debates com especialistas, o Ministério voltou a incluir as gestantes sem comorbidades entre os grupos prioritários para receber a vacina contra a Covid-19.

A decisão levou em conta o elevado índice de mortalidade entre este grupo de mulheres, bem superior ao restante da população.

A defensora pública Samantha Vilarinho Mello Alves, assessora Institucional da Defensoria-Geral, na função de Coordenadora Estadual de Promoção e Defesa dos Direitos das Mulheres, observa que propagandas e orientações antivacina têm sido muito fortes e amplamente divulgadas. “É preciso um esforço da sociedade para dar às mulheres a segurança da vacinação”, afirma.

A imunização contra a Covid-19 é importante para todos os cidadãos, em especial para aqueles dos grupos de riscos. É o caso de gestantes e puérperas, com ou sem comorbidades. Vários estados, como Minas Gerais, já liberaram a todas elas a vacinação.

Segundo estimativa da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, existem quase 26 mil gestantes e puérperas na cidade. Deste total, 14.340 foram imunizadas com a primeira dose, e 2.938 com duas doses, conforme o Boletim Epidemiológico e Assistencial divulgado pela PBH em 17 de agosto.

Canal de comunicação

As gestantes e puérperas que eventualmente encontrarem dificuldades para serem vacinadas contra a Covid-19, devido à exigência de relatório ou prescrição médica, podem contar com o auxílio da Defensoria Pública de Minas Gerais. A Instituição lançou um canal de comunicação direto para este fim.

O contato poderá ser feito exclusivamente por mensagens via Whatsapp no número (31) 98466-5128.

Alessandra Amaral / Jornalista DPMG

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